A primeira corrida do ano. Aquela que esperas sempre. Só que este ano parece que chegou, assim, de repente.Já vos disse que ultimamente ando super atarefado e a trabalhar mais do que antes? 🤭 Sim, eu sei, é sempre a mesma conversa. O certo é que no sábado a partida era às 15:30 e, por volta das 12:30, parei um bocado, comi as clássicas fatias de pão com manteiga e doce, mais por vontade do que por alguma necessidade real, e, como estava mesmo a fechar os olhos, deitei-me “só 15 minutos”.Adormeci instantaneamente. Quando acordei por volta das 14:15, tinha a sensação claríssima de que não servia para nada, os olhos ardiam e eu nem conseguia mantê-los abertos. Mas não havia hipótese de não ir. Eu não faço dessas coisas. Além disso, tinha a equipa com quem tinha de correr.O Gerar é uma prova única, pelo menos por cá, porque corres a meia maratona em equipa de três pessoas. E isso muda completamente a dinâmica. Já não é só sobre ti, o teu ritmo e o teu estado. Têm de encaixar, comunicar com o olhar, aceitar que às vezes um está mais fraco e os outros têm de puxar mais devagar. Se um tem um dia mau, os outros têm de aceitar. Não há ego, não há “vá, eu ainda aguento”. É sobre ir juntos até ao fim.Lá fora, de vez em quando, levantava-se um vento daqueles que parece que te bate mesmo na cara, sem motivo. Chamei um Uber por volta das 14:55 e cheguei, nem sei bem como, às 15:12 😂, ao Rectorado da Poli. Se noutros anos eu chegava uma hora mais cedo e ainda dava para ficar à conversa com outros atletas, desta vez foi tudo a correr.Duas palavras trocadas no corredor, deixámos as coisas no anfiteatro, eu já estava equipado, encontrei-me com os rapazes, deram-me o dorsal e saímos logo para a partida. Nem deu para aquecer. Só umas piadas, uns olhares, e pronto.Eu sabia que ia ser o elo mais fraco. Outra vez 😊Até lhes disse uns dias antes: “5:30 min/km é o máximo que consigo aguentar, não esperem grande coisa de mim”. O cansaço e a falta de sono fazem coisas muito estranhas ao corpo. Mesmo tendo feito corridas melhores nas últimas semanas, agora sentia claramente que não dava para mais.A partida teve um ambiente mesmo porreiro. Emoção, alegria, pessoas genuinamente felizes por estarem ali. Eu só esperava que os rapazes não puxassem demasiado logo de início. Claro que foi exatamente isso que aconteceu 😂Estava ansioso por acabar a primeira volta e chegar ao ponto de hidratação. Tinha uma sede daquelas, como se só tivesse comido coisas salgadas nos últimos dois dias.Eram seis voltas. As duas primeiras ainda as fiz mais ou menos, claro, abaixo do que eu queria. Depois tive uma volta mais de recuperação. Quando, na penúltima volta, vi o Hunor e a equipa dele que já tinham terminado e ainda iam a fazer uma voltinha leve, disse aos rapazes que nós devíamos fazer o mesmo. E o Gabi confirmou aquilo que eu já sentia: “a volta de recuperação vai ser a última volta” 😂A conversa fluiu bem. No fundo, é isso que o Gerar é para nós. Uma oportunidade de correr juntos num contexto organizado, com momentos em que se fala mais, se brinca 🤭, mas também com aqueles momentos bons em que simplesmente corres e ficas contente por estar ali.Quanto à organização, só coisas boas. O que é que se pode dizer quando está tudo feito na perfeição? 🤭Fiquei muito contente por reencontrar amigos da corrida, até porque nem nas redes sociais tenho aparecido muito ultimamente.Fevereiro ainda vai ser um mês difícil para mim. Em março espero voltar em força, fazer uns planos porreiros para este ano e entrar outra vez num ritmo mais tranquilo. Espero que o tempo também ajude, porque, sinceramente, o frio não é nada meu amigo 🤭Depois da corrida, ainda nos encontrámos com as raparigas e, como sempre, acabámos num restaurante. Não tanto para “celebrar”, mas para nos sentarmos, comermos qualquer coisa e ficarmos mais um bocado à conversa. Aquele tipo de conversa que surge naturalmente depois de uma prova, quando estás cansado, relaxado e já não tens nada a provar.Com o Gabi e a Valeria vejo-me 2–3 vezes por ano, normalmente em provas. Com o Bogdan, quase só no Gerar, e às vezes lá calha um Transfier. Não somos aquele tipo de grupo que se vê todas as semanas ou vai beber uma cerveja só por ir. O que nos liga é o desporto e estes momentos pontuais, mas quando nos juntamos é exatamente como se o tempo não tivesse passado.E talvez essa seja a melhor parte. Porque correr não é só quilómetros, tempos e resultados; são também as pessoas que aparecem sempre, mesmo que raramente. Um grupo pequeno, mas bom, que se reúne sempre à volta do desporto e volta para casa com as mesmas histórias, talvez com um bocadinho mais de cansaço, mas também com um bocadinho mais de sentido..
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Semimaratona Gerar 2026
Feb 04, 2026
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